
Saudações caros bloggers, chungas, pervertidos, depravados, wannabe's e what-not's
Então como têem estado? Espero que bem. No meu reino as coisas têem ido com algum rumo. Ultimamente tenho estado cheio de trabalho (o que não é desculpa para aqui não aparecer) a fazer dobragens, na vã esperança que alguém diga: "Ó King, é a tua voz sexy e sensual que eu ouço na RTP2, naquele desenho animado tão gay?" e como técnico de som e luz num teatrinho infantil: "Ó King, que bem que coordenas o som e a luz... não queres vir mexer-me nos botões??".
Bom, mas chega de sonhos e vamos passar a coisas sérias (Kame-Hame-Ha). A verdade é que o pouco tempo que tenho tido livre, tem sido usado para descansar ou então ir ao cinema. O reino cibernético tem estado activo mas ignorado... até agora.
Assim sendo, vou hoje comentar não um nem dois filmes, mas sim seis filmes que vi nestes últimos tempos, começando pelo mais recente e acabando no mais antigo. Para quem já está a pensar: "Mas este gajo quer-me torturar ou quê??", não se preocupe. As críticas não vão ser tão longas como outras que escrevi no passado (são 6 filmes, bacanos!) e para quem quiser passar a crítica cinematográfica, também terei uma secção sobre o Estado da Nação.
Então vamos começar.
Spider-Man 3
O que se pode dizer acerca da franchising que lançou a moda dos filmes baseados em BD's? O que se pode dizer acerca de um realizador tão genial como Sam Raimi? Ou do facto que este é apenas o filme mais caro de sempre, orçamentado em 250 milhões de dólares?
Simples: que porcaria foi aquela que eu vi durante 2 horas e meia e onde estava a genialidade, Sam?
Antes que começem a mandar hate-mails, convém salientar que eu sou um fã incondicionado do Spider-Man. Eu cresci a ler as aventuras do aracnídeo. E não eram aquelas novas aventuras repescadas para a geração hip-hop (falo da Marvel Ultimate), não caros súbditos, eu assim como muitos outros lemos o old school Spider-Man, primeiro em brasileiro (alguém se lembra da Abril?) depois em português e mais tarde no original inglês. Antes da moda dos heróis pegar, já o vosso King era um geek dos comic books. Da mesma forma que sou um enorme admirador do trabalho do Sr. Sam "Evil Dead- Darkman" Raimi.
Mas não sou um fã deste filme.
Lembro-me quando vi o primeiro filme. Fiquei com um sabor amargo na boca. Não era bom, mas também não era mau. Os actores estavam bem, a realização também, mas o Spidey não convencia muito. Aliás a única altura em que realmente fiquei entusiasmado, foi no último minuto do filme quando Raimi nos revela pela primeira vez a Spidey-Cam (a camera que nos permitia acompanhar o aracnideo pelos arranha-céus de NY). Esse minuto de entusiasmo iria-se prolongar por toda a duração do segundo filme, Spider-Man 2. Simplesmente o melhor filme de BD feito até agora (Batman Begins fica bem perto). Era excelente em todos os aspectos. As melhores representações do franchising, os melhores efeitos, o melhor argumento. Os planetas estavam todos alinhados para que este filme resultasse. E assim foi.
Isso não acontece com Spidey 3. Como diria um colega meu, o filme é: lamechas, piroso, piegas e em certas alturas chega a ser um pouco mariquinhas-pé-de-salsa. Passo a explicar: o argumento é quase inexistente e cheio de lacunas. Personagens aparecem e desaparecem sem razão(como o Capt. Stacy que não está a fazer nada no filme). Motivos são expostos e depois descartados ( a filha de Flint Marko está a morrer mas é apenas um motivo para termos pena do personagem, assim que este é redimido deixa-se de falar da filha). Os actores parecem zombies a representar, sem energia nenhuma (principalmente Tobey Maguire e Kirsten Dunst, que eu costumo adorar), à excepção de Bruce Campbell (o Ash de Evil Dead) que está brilhante no seu 3º cameo no franchising assim como J.K. Simmons (no papel de J. Jonah Jameson). Topher Grace (Eddie Brock/Venom) representa da mesma forma que fazia na série "That 70's Show", Bryce Dallas Howard (Gwen Stacy) mais valia a pena não aparecer, porque só sabe manter os olhos abertos durante muito tempo, fazer expressões de preplexidade e mostrar que o seu talento está apenas no tamanho das suas glândulas mamárias e Thomas Haden Church (Flint Marko/Sandman) tenta fazer o melhor que pode com um papel tão mal-desenvolvido, sem grandes resultados. Quanto a James Franco (Harry Osborne/Hobgoblin) só tenho uma coisa a dizer: quem falou da "estranha relação" entre Frodo e Sam no LOTR então é porque ainda não viu a de Spidey e Hobgoblin... deveras assustador. Os momentos dramáticos em vez de conterem o peso emocional que merecem, são transformados em situações de telenovela, dignos de um episódios da Floribella ou dos Morangos com Açúcar.
Eu sei que vivemos na era do politicamente correcto, mas o que tem de ser dito deve ser dito.
Como já disse, em termos de realização o filme é fraquissímo, Sam Raimi parece que quis apressar as coisas e este foi o resultado. Uma salada mista cheia de cores mas que na realidade não sabe a nada. Os efeitos especiais estão aquém dos do 2º filme e em certas vezes, a camera move-se tão rapidamente que nem num ecrãn gigante se percebe o que está a acontecer. Quando vemos a cara de Peter Parker numa luta, percebemos logo que se trata de CGI (no segundo filme isso não acontecia, vejam a morte do Dr. Octupus... grande plano). Personagens que não têem relevância nenhuma durante o filme(mordomo?), aparecem no final para divulgarem "aquela importante informação" que vai decidir o fecho do filme e diálogos-chave direccionados ao herói são feitos em planos desfocados (como foi o caso da Tia May a falar com Peter).Venom, um vilão de enorme importância no universo Marvel, é aqui tratado como um simples simbionte-extraterrestre-brutamontes sem nunca apelar à sua parte psicológica (a dualidade Eddie Brock/Venom). Na realidade, nem parece um filme de Sam Raimi. Se calhar foi realizado por Brett Ratner.
250 milhões de dólares. Financiava-se perto de 50 filmes em Portugal. Dava para mais que um ano. Conseguem imaginar??
Resultado final: Spider-Man- 3 estrelas
Spider-Man 2- 5 estrelas
Spider-Man 3- 1 estrela
300
300 é um filme realizado por Zack Snyder (realizador do fabuloso remake de Dawn of the Dead) e baseado na graphic novel de Frank Miller (criador de Sin City). Da mesma forma que já tinhamos presenciado em Sin City de Robert Rodriguez, 300 é filmado por inteiro, usando a tecnologia de blue/green-screen também conhecida por chroma-key. O resultado é extremamente positivo. Visualmente ficamos com a impressão de estar num mundo que não nos é completamente real; como num sonho... ou numa graphic novel.
A história é passada no século V a.C. onde 300 espartanos liderados pelo Rei Leónidas (interpretado por Gerard Butler) impedem a invasão de Xerxes (interpretado por Rodrigo Santoro) e do seu exército Persa, composto por centenas de milhares de soldados. Ao contrário do que se possa acreditar, este filme não é baseado em factos verídicos. É sim, baseado na graphic novel de Frank Miller e na forma como este interpretou a batalha de Termópolis. Se lerem a obra "Os Persas" de Ésquilo irão encontrar uma versão muito diferente do conto da batalha. Por isso, caro Sr. Primeiro-Ministro do Irão, não vale a pena falar mal do filme e dizer que este retrata mal os Persas, porque existem vários pontos de vista. Já para não falar que não existem nem nunca existiram trolls e carrascos gordos com lâminas no lugar dos braços. "Hello, anybody home?? Think Mcfly, think."
Voltando ao filme.
Pura testosterona. Simples e directo. Tanto o argumento como a interpretação salientam isso logo no ínicio do filme. Aqui não há momentos para dúvidas existenciais ou introspecções acerca do que é correcto ou não. Existe um caminho a seguir e não se hesita. E quem estiver a impedir, passa-se por cima. O culto do corpo não é visto aqui como um aspecto de vanidade e sim como uma necessidade do rigor da vida de um espartano. As coreografias militares não têem o objectivo de enaltecer o ensino militar, mas sim de mostrar a funcionalidade/propósito da defesa de um povo perante um inimigo avassalador. Criar o maior dano possível da forma mais directa e no mínimo tempo possível. Lutar, viver e morrer sempre com honra. Conceitos considerados pelos olhos da sociedade actual, como retrógados, extremistas e quasi-fascistas. Talvez... e talvez não. Deixo à vossa opinião.
Cinematograficamente falando, é tal como Sin City, um avanço da era digital e um presságio de como os filmes do futuro serão. No entanto, poder-se-à considerar merecedor do título nu-epic ou nouveau-epic ? Acho que não. E passo a explicar. Um épico é um filme considerado por natureza como um fime grandioso... larger than life. Não é só a história que é grandiosa ou as representações dos actores ou o realizador. São também os cenários e as localidades escolhidas que fazem um épico. Em suma, para um épico ser um épico, tem que existir uma ligação sensorial entre o espectador e a imagem. Uma entrega completa da parte do espectador. Aquilo que ele está a ver naquele momento é real. Palpável... ainda que seja apenas uma imagem projectada num ecran. Filmes como "Lawrence of Arabia" e "Gone With The Wind" são épicos. "Star Wars" é um épico; "Lord of the Rings" é um nu-epic porque usa a tecnologia actual em harmonia com os cenários/localidades e consegue dar-nos (público) essa realidade palpável.
300 é um sonho. E por isso encontra-se num género aparte, ainda não categorizado. Mas isso não faz dele um mau filme. Muito pelo contrário.
4 estrelas
Sunshine-Missão Solar
O Sol está a morrer. Num futuro próximo, a Humanidade envia uma equipe de cientistas ao coração do Sol, na esperança de reiniciar a nossa estrela e assim salvar a Terra da destruição total. No entanto, algo tentará impedir os nossoas heróis de cumprirem a sua missão...
Realizado por Danny Boyle (Trainspotting e 28 Days Later), Sunshine tinha todos os ingredientes para ser melhor do que realmente é. Infelizmente, não consegue ser. Os primeiros 40 minutos de filme estão muito bem conseguidos. O realizador consegue criar um clima de suspense bastante agradável, mas depois não o consegue manter. Assim, o filme fica reduzido a um conjunto de heróis mal caracterizados (nunca nos chegamos a preocupar com eles), um vilão estereotipado e desnecessário num filme de ficção cientifica e um conjunto de homages cinematográficas. Acabamos por ficar com a impressão, que para este filme se redimir era necessário ver a morte do Sol e assim a destruição da Terra. Mas o dinheiro para o orçamento vem das terras do Uncle Sam... logo, nada feito.
Não se espantem se ao virem o filme ficarem com a sensação que já viram algo parecido. Alien, 2001, Event Horizon, Solaris, Mission to Mars... há para todos os gostos em Sunshine e estão todos lá.
Como diria Sigmund Freud: "Close, but no cigar!"
2 estrelas
The Number 23
Jim Carey está obcecado com o número 23 e com todos os significados que este representa. Realizado por Joel Schumacher (PhoneBooth e Batman & Robin) que na última década tem feito mais desilusões que sucessos, o Número 23 não é mais nada que um thriller cheio de boas intenções mas que não cumpre aquilo que promete. O argumento é previsível e minimalista. As representações são básicas. Nota-se que Jim Carey quer ser visto como um actor sério e não como o cómico de filmes como Ace Ventura, mas o estúdio fala mais alto e de vez em quando lá se vê uma "careta" ou "piadinha fácil" para entreter um público já meio adormecido. Virginia Madsen tenta a todo o custo ser femme fatale que foi outrora, noutros filmes, mas o argumento não lhe permite.
Joel Schumacher necessita de rever filmes seus como: A Time to Kill, Tigerland, The Lost Boys e PhoneBooth para perceber o que é que tem andado a fazer mal durante estes últimos anos. Senão habilita-se a ficar desempregado em Hollywood e ir fazer filmes para a Europa de Leste (com o Steven Seagal... que horror) ou então a dar aulas como professor/realizador frustrado.
Ainda acredito em si, Mr. Schumacher
2 estrelas
Notes on a Scandal- Notas de um Escandalo
Que surpresa agradável e refrescante! Raras são as vezes em que vemos duas gerações diferentes de actrizes numa comédia negra... onde os papeis principais são femininos.
Barbara Covett (Judi Dench) é uma professora numa escola preparatória. A sua vida resume-se à escola e ao seu diário. É solteira, lésbica e frustrada. Entra Sheba Hart (Cate Blanchett), a jovem professora de Artes, de espírito irreverente, liberal, bela e casada com um homem mais velho. Quando Sheba se deixa seduzir por um jovem aluno de 15 anos e se apaixona por este, Barbara vê isso como uma oportunidade para se aproximar de Sheba e ganhar uma confidente... e quem sabe algo mais.
O realizador Richard Eyre dirige este filme com sábia mestria, aproveitando as qualidades que um elenco de luxo lhe propõe sem nunca tornar a história banal. Ambas as actrizes estão no seu melhor, recusando-se a cairem em estereótipos ou a readaptarem registos representativos prévios. É esta a diferença entre grandes actores/actrizes e os outros. Certas situações chegam a ser pitorescas mas nunca perdem o peso dramático.
Para quem gosta de ver bom cinema que não necessita de grandes orçamentos para encherem o olho ao espectador.
5 estrelas
Curse of the Golden Flower- A Maldição da Flor Dourada
Este filme é o terceiro da trilogia wushu, iniciada com Hero. Zhang Yimou resolve terminar esta saga com um trama digno das tragédias gregas da Antiguidade Clássica... a diferença sendo que esta passa-se no Palácio Imperial da China. Com referências a obras de Shakespeare como Otelo, Macbeth, Hamlet e Lear este filme acaba em certas vezes por perder-se, visto a sua simbologia ser tão extensa. A ostenticidade também não ajuda. É um filme tão carregado de cores e adereços tão minuciosamente trabalhados, que a linha entre o bom gosto e a pirosisse, desaparece por completo. Em certas alturas ficamos deslumbrados com a riqueza e o detalhe, noutras parece que estamos numa loja dos 300.
O argumento é o mais fraco da trilogia e isso nota-se. Enquanto que Hero era como que uma ode ao herói solitário e altruísta e House of Flying Daggers um história de amor e sacrifício ao bom estilo asiático, Curse of the Golden Flower é uma história sobre loucura e uma vingança que não chega a ser cumprida. Talvez seja por isso que dos três filmes tenha sido aquele mais mal recebido pelo público geral. Somos ao longo de quase duas horas, preparados para um acto de retaliação que não só era já adivinhado, como depois de fracassado é imediatamente descartado, como se nunca tivesse existido. Se calhar era esse o objectivo. Fazer-nos ver que qualquer acto é irrelevante quando é contra um inimigo que nos conheçe e é superior a nós. Não concordo com esse ponto de vista, mas respeito-o.
Ambos os actores principais conseguem representações muito seguras (Chow-Yun-Fat e Gong Li) assim como certos elementos secundários. Infelizmente os secundários mais predominantes acabam por ser os actores mais jovens e nenhum deles possuí a bagagem emocional para suportar papeis de cariz tão dramático, como estes aqui representados.
Para piorar a situação quando vi este filme no Alvaláxia, a imagem estava constantemente desfocada e o som ora aumentava ora diminuiva. No final, quando me fui queixar, disseram-me que o problema já estava nas bobines e que vinha assim da origem. PPPlllleeeaaassseee, então isso quer dizer que têem andado a exibir um filme durante quase um mês e ninguém reparou nisso, até eu me queixar?? Terei eu sido o primeiro?? Yeah, right! Pelo menos deram-me um bilhete de graça para o filme que ia ver a seguir. Not bad. Já sabem, quando acham que estão a ser mal servidos, queixem-se.
3 estrelas
Estado da Nação
O Sócrates é PM. O Sócrates lixa-nos com as suas reformas. O Sócrates não é licenciado. Quem é estúpido, quem é?? Digam comigo, todos juntos: NÓS!!!
No domingo passado o Fidel Castro voltou a ser re-eleito Presidente do Governo Regional da Madeira... uhm, no comments!!
Ingleses vêem passear a Portugal. Ingleses trazem uma filhota. Ingleses vão para a party (swingers?). Filhota fica alone in casa. Filhota é raptada. Quem é responsável, quem é? Digam comigo, todos juntos: NÓS!! (pelo menos é o que diz o governo e os media estrangeiros)
King Nothing
... where's my crown???